O mundo de Christian Lacroix

O mundo de Christian Lacroix

Christian Marie Marc Lacroix 
Nascido em 1951 em Arles, França, Christian Lacroix foi um dos estilistas mais influentes da moda na segunda metade da década de 80 do século XX.
Estudou História de Arte e pretendia ser curador num museu, mas acabou por ser admitido como estilista na casa de costura Jean Patou. O sucesso do seu trabalho na Patou fez com que um grupo financeiro se interessasse em fundar uma casa de costura e uma marca com o seu nome em 1987. No final dos anos 80, quando a simplicidade e o minimalismo começavam a dominar a moda, os seus modelos em cores vivas, estampados vibrantes, bordados elaborados, misturas de tecidos e silhuetas volumosas trouxeram um novo fôlego e de certa forma optimismo à indústria da moda.
Desde 1989 começou a desenhar a sua linha de pronto-a-vestir. (Traduzido e adaptado de: Fashion, vários autores, Taschen, 2002)
Inovador e arrojado, o estilista francês ganhou fama internacional ao reinventar a alta-costura, levando para as passarelas do mundo vestidos que exibem o requinte de tecidos volumosos e a exuberância do preto e do vermelho. Inspirado no luxo e na ousadia da cultura espanhola, ele traz em suas criações vestidos esvoaçantes, cores fortes, bijutaria e muita sofisticação. Recentemente produziu duas fragrâncias para a Avon Cosméticos.
Christian Lacroix é um dos mais respeitados estilistas em todo o mundo, fazendo moda para mulheres e homens, além de uma linha de acessórios,explorou ainda outros nichos de mercado, indo além das colecções de vestuário e para casa.
Em 2002 lançou seu primeiro perfume, o Bazar, criado em parceria com Bertrand Duchaufor, Jean-Claude Ellena e Emilie Copperman.
Anos mais tarde, em 2007, firmou parceria com a empresa de cosméticos Avon, assinando uma colecção exclusiva denominada Christian Lacroix Rouge, com uma fragrância para homens e outra para mulheres. Mais tarde, expandiu sua colecção junto à marca com o lançamento do Christian Lacroix Absynthe em 2009, e com o Christian Lacroix Nuit em 2011.


Christian Lacroix foi responsável por dar um novo fôlego à moda na década de 80.
Nenhum outro criou com tanta exuberância, opulência. Nenhum outro trouxe a riqueza de tecidos, de fantasia barroca de maneira tão artística como este costureiro francês. Quando surgiu, as críticas foram muitas, assim como os elogios.

Quando era pequeno, e até ser adulto, nunca pensou ser estilista. "Lembro-me de, quando era pequeno, os professores me darem bonecas para brincar, para me entreter, e detestava a textura dos tecidos das roupas. Só queria pintar livros de colorir e fazer desenhos", afirma o estilista no seu site oficial. Estudou História de Arte na Universidade de Montpellier, de onde seguiu para a Sorbonne, em Paris, para tentar seguir uma carreira como curador num museu, mas o facto de ter conhecido a sua futura mulher, Françoise, fê-lo mudar de rumo (casaram- -se em 1974).
Decide aprender mais sobre moda na marca de luxo francesa Hermès, onde chega a trabalhar, e na corte real imperial em Tóquio, por intermédio de Jean-Jacques Picart, relações públicas de algumas das mais importantes maisons da altura. Em 1981, começa a trabalhar com Jean Patou, até 1987, ano em que cria o seu atelier de alta costura.
A sua ascensão começa ainda durante o tempo que trabalha sob a chancela de Patou. Christian Lacroix tem uma visão diferente de como a moda feminina deve ser encarada - mais luxuriante, mais perfeccionista, mais colorida e mais kitsch.
"No final do século XX, a alta costura só poderia sobreviver se ela encontrasse o equilíbrio entre o pronto-a-vestir de luxo, com que ela não se confunde, e uma criação radical, que também não é o seu papel, porque a nova clientela também não escapa a certos códigos. O luxo, em si mesmo, deve conduzir à individualidade, à diferença e ao dandismo, e não deve ser sinónimo de aburguesamento esteticamente desatualizado", sublinha o costureiro.
A partir de 1981, Lacroix começa a surpreender pela notória diferença na forma como vê a moda, rodeada de algum humor. O corpete volta a ter uma nova vida nas suas mãos, quase um século depois de as mulheres terem lutado muito pela sua abolição. Claro, que esta peça de vestuário não é usada hoje como naqueles tempos, nem faz sofrer as senhoras de hoje, como as de então.
Mas, retomando a história de Christian Lacroix, em Janeiro de 1987 recebe o prémio Most Influential Designer, pela CFDA, atribuído a um criador estrangeiro, e abre a maison de alta costura, com o apoio do Grupo LVMH (Moet Hennessy Louis Vuitton S.A.), por ter chamado a atenção de Bernard Arnault, actualmente um dos administradores da empresa.
Mas esta relação, entre o grupo LVMH e o estilista, não foi pacífica. Se, por um lado, Lacroix era a lufada de ar fresco de que a moda precisava, por outro não era rentável. Em 1989, criou uma linha de pronto-a-vestir e de acessórios - sapatos, carteiras, joias, lenços, óculos e gravatas. Mas nem sempre com sucesso. Neste mesmo ano abre várias lojas em Paris, Arles (terra natal), Aix--en-Provence, Toulouse, Londres, Genebra e Japão.
Na década de 90, decide lançar a linha Bazar (roupa desportiva), a Jeans, a Art de la Table, em parceria com a Christofle. Em 1999, aventura-se no mundo da perfumaria, com Christian Lacroix, com aromas florais, o que infelizmente não correu bem devido ao design do frasco. Independentemente da magnífica harmonia entre a fragrância floral e as especiarias, juntando aromas de Inverno e de Verão, uma opção propositada, o frasco era suposto ter a imagem de uma pedra achatada, mas o resultado final foi o de um coração acabado de ter um ataque. Comercialmente não resultou devido à imagem. Em 2007, criou duas fragrâncias exclusivas para a Avon Cosmetics: o Christian Lacroix Rouge, para senhora, e o Christian Lacroix Noir, para homem.
As exigências de mercado começam a mudar e o Grupo LMVH começa a exigir outras contrapartidas: lucro. Lacroix é um artista e continua a querer fazer o trabalho de sempre - fazer roupa diferente, para clientes que apreciam o seu estilo, com tecidos luxuosos, cravejados de pedras preciosas, detalhes requintados e que só podem ser usados em momentos muito especiais. Esta começa a ser, então, uma das mais frequentes críticas ao seu trabalho - Christian Lacroix não consegue adaptar-se ao tempos modernos e fazer roupa para a mulher que trabalha. Isto é, adaptar o seu estilo, ou ter um outro, que a mulher moderna e cosmopolita possa usar no seu dia-a-dia.
Em 2005, a LVMH vende a Lacroix ao Grupo Falic, uma empresa norte-americana de retalho. Durante algum tempo a relação entre ambos é relativamente pacífica devido à injeção de dinheiro, mas as coisas começam a complicar-se quando o costureiro não corresponde às expectativas do grupo.
Em Maio de 2009, Christian Lacroix anuncia ao mundo que está falido, para fugir aos credores, e anuncia o seu último desfile, com a ajuda de amigos e restos de tecidos que tinha no seu atelier, em Paris. Foi um sucesso e uma emoção.
No entanto, o fim ainda pode não estar anunciado, pois este homem da moda, que chegou a ser um dos melhores criadores de moda dno mundo do século XX, que vestiu muitas celebridades internacionais - Madonna, Christina Aguilera -, que ensiou estilistas como Jean-Paul Gaultier e Nicolás Vaudelet (El Caballo), é considerado pelo Governo francês "património fundamental da cultura" francesa, segundo Christian Estrosi, ministro da Cultura. O próximo mês de Setembro irá trazer notícias sobre o futuro da casa Lacroix, visto três grupos empresariais estarem interessados em comprar a marca, sendo um deles italiano. O DN está atento ao futuro da maison Christian Lacroix!

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